Manutenção
Quais cuidados a maresia exige de um apartamento na Barra e no Recreio?
Por Regina Albuquerque · Publicado em 07/11/2026 · Atualizado em 07/11/2026
Quem se muda para perto da praia percebe a maresia antes mesmo de desfazer as caixas: uma película esbranquiçada nos vidros da varanda, um trilho de janela que começa a emperrar, pequenos pontos alaranjados em parafusos que pareciam novos. Em apartamentos recém-entregues na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, esses sinais aparecem nos primeiros meses e indicam que a manutenção precisa entrar na rotina da casa.
A boa notícia é que a maior parte dos cuidados é simples e de baixo custo quando feita com regularidade. O problema aparece quando a limpeza é adiada e o sal se acumula por meses.
O que é a maresia e por que ela desgasta tanto
A maresia é a névoa de gotículas de água do mar levada pelo vento. Quando a água evapora, sobram cristais de sal que se depositam nas superfícies. Esse sal atrai umidade do ar e forma uma camada que acelera a corrosão de metais e ataca películas de proteção de esquadrias, pinturas e equipamentos. Quanto mais perto da orla e mais exposto ao vento, maior a concentração, mas apartamentos a alguns quarteirões da praia também são afetados.
A umidade relativa alta, comum na Zona Oeste do Rio durante boa parte do ano, completa o quadro. Ela favorece mofo em armários, em paredes pouco ventiladas e em tecidos guardados.
Esquadrias de alumínio e vidros
As esquadrias de alumínio costumam receber pintura eletrostática ou anodização, que protegem o metal. O sal acumulado, porém, desgasta essa camada com o tempo. A recomendação dos fabricantes é lavar as esquadrias com água doce e sabão neutro, usando esponja macia, a cada poucas semanas em imóveis de frente para o mar. Evite produtos abrasivos, palha de aço e solventes, que removem a proteção.
Os trilhos merecem atenção especial: areia e sal se acumulam ali e travam as roldanas. Aspire os trilhos, limpe com pano úmido e confira se os furos de drenagem estão desobstruídos. Borrachas e escovinhas de vedação ressecam antes do previsto perto do mar e devem ser trocadas quando começam a soltar.
Vidros e guarda-corpos de vidro ficam opacos com a película de sal. Lavar com água doce antes de usar limpa-vidros evita que os cristais risquem a superfície.
Metais, ferragens e acabamentos
Fechaduras, dobradiças, puxadores e parafusos expostos à varanda são os primeiros a mostrar ferrugem. Nas trocas e reformas, vale preferir peças de aço inoxidável de boa qualidade, como o tipo 316, mais resistente ao ambiente marinho, ou metais com acabamento próprio para áreas externas. Uma fina camada de lubrificante adequado em dobradiças e fechaduras ajuda a afastar a umidade.
Na cozinha e nos banheiros, torneiras e registros cromados também sofrem com o ar salino. Secar as peças depois do uso e limpá-las com produtos neutros prolonga o acabamento.
Ar-condicionado e eletrodomésticos
As condensadoras instaladas na varanda ou em nichos externos ficam diretamente expostas ao sal. As aletas de alumínio corroem, o equipamento perde eficiência e consome mais energia. Fabricantes oferecem modelos com tratamento anticorrosivo nas serpentinas, uma opção a considerar em prédios próximos à orla. A limpeza das condensadoras com água doce, feita por técnico, deve ser mais frequente do que em bairros afastados do mar.
Eletrônicos e eletrodomésticos mantidos perto de janelas abertas também acumulam sal nos contatos. Em regiões muito expostas, evite deixar equipamentos encostados nas aberturas para a varanda.
Pintura, fachada e áreas comuns
A maresia também age sobre o que está fora do apartamento. Pinturas de fachada, gradis, portões de garagem e equipamentos de piscina sofrem o mesmo desgaste, e a manutenção dessas áreas é responsabilidade do condomínio. Em prédios recém-entregues, vale que o síndico conheça os intervalos de repintura e de tratamento de metais previstos no manual das áreas comuns e inclua essas despesas na previsão orçamentária, evitando cotas extras inesperadas.
Dentro da unidade, paredes externas da varanda e tetos expostos ao vento podem apresentar descascamento da pintura antes das paredes internas. Pequenos retoques com tinta indicada para áreas externas, feitos logo que o problema aparece, evitam que a umidade penetre no reboco.
Umidade, mofo e ventilação
Ventilar a casa diariamente é a medida mais eficaz contra o mofo. Deixe portas de armários entreabertas por alguns minutos, evite encostar móveis nas paredes externas e use desumidificadores em ambientes fechados, como closets. Saquinhos absorventes de umidade ajudam em gavetas e armários pequenos.
Manchas escuras recorrentes no mesmo ponto podem indicar infiltração, e não apenas condensação. Nesse caso, registre com fotos e comunique a construtora pelo canal indicado no manual do proprietário, já que problemas de impermeabilização costumam estar dentro dos prazos de responsabilidade da obra nos primeiros anos.
Manutenção preventiva e o manual do proprietário
O manual do proprietário entregue com o apartamento traz um calendário de manutenção baseado na norma ABNT NBR 5674. Em prédios perto do mar, esse calendário costuma prever intervalos mais curtos para limpeza de esquadrias, revisão de vedações e pintura de elementos metálicos. Seguir o calendário mantém o imóvel em bom estado e preserva a responsabilidade da construtora pelos sistemas cobertos.
Uma rotina simples funciona: lavar esquadrias e guarda-corpos a cada duas ou quatro semanas, revisar trilhos e borrachas a cada semestre, programar a limpeza das condensadoras e anotar as datas em uma planilha. Guardar notas e registros das manutenções feitas facilita qualquer conversa futura com a construtora ou com um eventual comprador.
Escreve sobre manutenção residencial e conservação de imóveis no litoral para o Avanco Consultoria.